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Cineasta alemão, Werner Herzog é um dos principais nomes do movimento cinematográfico na Alemanha do pós-guerra. Com filmes e documentários como Aguirre, Fitzcarraldo, Nosferatu e O Homem Urso, Herzog é um diretor que retrata o misticismo, o desconhecido e a tragédia no mundo. A partir de uma abordagem autêntica e polêmica, tornou-se mundialmente conhecido por escrever, dirigir e produzir os próprios filmes com baixo orçamento, geralmente em cenários inóspitos.

Herzog é o próximo conferencista desta temporada do Fronteiras do Pensamento. O diretor alemão sobe ao palco do projeto nos dias 23/9 (POA) e 25/9 (SP). Garanta sua participação nos próximos eventos. Além de Herzog, o Fronteiras ainda receberá o psicanalista Contardo Calligaris e o filósofo Luc Ferry.

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ENVIE SUA PERGUNTA | Mande suas questões para Janna Levin através do e-mail digital@fronteiras.com ou comente-as em nossa página do Facebook. A professora responderá as questões selecionadas diretamente do projeto nas capitais gaúcha e paulista. Divulgaremos as respostas nos dias posteriores aos eventos, em nossos canais digitais, oferecidos pela Braskem


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ATENÇÃO, PORTO ALEGRE >> a conferência seguinte ao evento com Herzog, com a participação de Contardo Calligaris, ocorrerá em novo local: no Centro de Eventos da PUCRS (Av. Ipiranga, 6.681), na mesma data prevista anteriormente, dia 21 de outubro.


Fernando Mantelli, diretor e roteirista, discutiu a vida e a obra do alemão Werner Herzog na Revista Fronteiras do Pensamento 2019. Para Mantelli, os filmes do alemão registram a experiência humana em sua faceta mais básica. "Em seus melhores momentos, Herzog consegue equilibrar a natureza ao religioso, aos mistérios do mundo, dado o assombro que é, por exemplo, ver a grandiosidade de um vulcão ativo podendo entrar em erupção a qualquer momento."

Confira abaixo e envie sua pergunta para nós até a próxima semana!

Um cineasta e os mistérios do mundo | Fernando Mantelli

Desde 1970, Werner Herzog vem transmitindo ao mundo suas fantásticas visões sobre os mais diversos assuntos que falam sobre a alma humana e o sentido da vida. Desde bravos médicos que levam tratamento para regiões inóspitas na África, passando pela relação do homem com a natureza em O Homem Urso, ou refletindo sobre a evolução da linguagem em Caverna dos Sonhos Esquecidos. Isso só para ficar com alguns exemplos. Afinal, Herzog já fez mais de 60 filmes.

O primeiro dele a que assisti foi Aguirre, a Cólera dos Deuses. Surpreendeu em Aguirre a estética realista, quase beirando o documental. Lentes ficavam embaçadas e molhadas, ressaltando a força do ambiente, mostrando-nos o aparato. E havia aqueles travellings circulares ao final, enfatizando a imobilidade de Aguirre, tornando seus desejos pura imaginação.

>> Assista aos principais filmes de Werner Herzog

Em compensação, contrapondo a crueza das filmagens, vinha uma atuação empostada e aparente na figura do explosivo Klaus Kinski, como se o filme estivesse a admitir a dimensão teatral de seus conflitos. Parecia que o ambiente hostil e o entorno real por si só justificassem a encenação. Afinal, encenar lá não era para qualquer um.A cólera do título é o abandono dos deuses, deixando o homem a sós com sua loucura, no coração da floresta.

Aguirre trata de inquietação, desassossego. É o confronto mais cinematográfico de todos, o homem contra a natureza. Estava ali um tema que iria se repetir em muitas das produções de Herzog, em especial em O Homem Urso. A força inexpugnável da natureza, no que ela tem de bela e cruel. Natureza vista não como um paraíso de harmonia, mas como horror na vida de um protagonista descontrolado que tenta de tudo para superá-la.

Em seus melhores momentos, Herzog consegue equilibrar a natureza ao religioso, aos mistérios do mundo, dado o assombro que é, por exemplo, ver a grandiosidade de um vulcão ativo podendo entrar em erupção a qualquer momento. Seus documentários são verdadeiros tratados antropológicos que têm como ponto de partida determinado aspecto peculiar do mundo.

Para Herzog, o diretor deve interferir e não manter-se distante do objeto, pois ele é o responsável pelas imagens e pelas ideias. Mas a interferência do cineasta é, via de regra, filosófica, nunca política. Herzog acha que os filmes não devem ser instrumento para política.

Leia também >> Entrevista Herzog: Meus sentidos de vida

Suas produções são repletas de reflexões metafísicas que amplificam seu sentido quando ditas ou representadas nos locais exóticos ou desconhecidos escolhidos por Herzog, ambientes que apresentam o misticismo adequado para seus questionamentos.

“Em um tempo em que tudo é fake, virtual e digital, Herzog trouxe de volta a ideia de que o cinema é o registro da experiência humana mais básica”, diz o diretor Volker Schlöndorff, amigo de Herzog e contemporâneo do Cinema Novo Alemão.

“Werner nos permite que apenas vejamos o mundo.”

Herzog acredita que as novidades no universo das imagens e o desenvolvimento da linguagem têm de acontecer pelas mãos dos cineastas profissionais ou por artistas visuais. Para ele não é só uma questão formal, mas também de conteúdo, pois essas imagens têm a ver com a compreensão da condição humana.

Sempre me perguntei qual a capacidade de um astronauta para filmar no espaço, ou na Lua. Creio que um diretor de cinema seria uma pessoa mais indicada para captar essas imagens. E, se algum diretor deveria filmar fora do planeta, esse diretor seria Werner Herzog.

Quem sabe numa próxima missão espacial da Nasa não levam Herzog para nos trazer imagens até então desconhecidas e questionamentos iluminados. Quem sabe não começamos agora a campanha!

#herzogonmars

Por Fernando Mantelli - Diretor, roteirista, escritor, especialista em cinema, mestre em escrita criativa e professor de realização audiovisual