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Etiópia em risco: Mary Robinson pede atenção global à seca no país africano

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Mary Robinson e Tedros Adhanom Ghebreyesus
Mary Robinson e Tedros Adhanom Ghebreyesus

Mary Robinson foi esta semana à Etiópia, como Enviada Especial das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, para conversar com o Ministro das Relações Exteriores e buscar alternativas para a pior seca dos últimos 50 anos que assola o país africano.


Em dez países das regiões sul e oriental da África, as consequências do El Niño podem levar 26,5 milhões de crianças a passar fome, enfrentar epidemias e ficar sem acesso a água. O alerta é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O desequilíbrio climático provocado pelo fenômeno tem provocado secas devastadoras em diversas porções do continente africano. Na Etiópia, por exemplo, a queda da produção de alimentos por conta de estiagens ameaça 10,2 milhões de pessoas.

"Espero que os Enviados Especiais possam tornar esta crise mais visível em um momento cujo foco internacional está restrito apenas ao Brexit e à questão da imigração", disse Robinson. "Não acho que o real impacto do El Niño, agravado pela mudança climática, tenha recebido a devida atenção da comunidade internacional", completou a ex-presidente da Irlanda, que está relacionando a situação à luta pela redução da emissão de carbono pelo mundo.

"É injusto que a Etiópia sofra tanto com mudança climática apesar de emissões desprezíveis", argumentou Robinson. É estimado que 88 etíopes emitam tanto carbono quanto 1 irlandês. "Somos vítimas da mudança climática", concluiu o Ministro das Relações Exteriores da Etiópia, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em reunião com Robinson.

A diplomata irlandesa levará a questão às Nações Unidas, em Nova York, no dia 19 de julho. A ONU estima que serão necessários quase quatro bilhões de dólares para sanar os efeitos do El Niño na Ásia, África e nas Américas Central e do Sul. Até agora, o fundo recebeu pouco menos de 1 bilhão e meio.