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Experimento de Miguel Nicolelis faz macaco movimentar cadeira robótica usando apenas a mente

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Miguel Nicolelis no Fronteiras Florianópolis 2014 (foto: José Luiz Somensi/Fronteiras do Pensamento)
Miguel Nicolelis no Fronteiras Florianópolis 2014 (foto: José Luiz Somensi/Fronteiras do Pensamento)

Enquanto chegava ao auditório da UFCSPA, em Porto Alegre, para o lançamento de sua nova obra, Made in Macaíba, Miguel Nicolelis recebia os parabéns do público presente.

Foi um dia de reconhecimento especial pelo trabalho do cientista, que conseguiu dar um novo passo na interface cérebro-máquina, fazendo com que macacos, através de uma interface cerebral sem fio, controlassem uma cadeira robótica usando apenas os pensamentos.

A pesquisa foi publicada na revista científica Scientific Reports, da Nature.

Diferentemente de experimentos anteriores, nos quais os primatas controlavam membros robóticos, esses macacos não foram previamente treinados. Isso é importante, porque pessoas que perderam controle motor ou mobilidade devido a uma quadriplegia ou esclerose lateral amiotrófica não conseguem usar as mãos ou outras partes do corpo para se acostumarem a um sistema. “Nossos dados mostram que a cadeira de rodas começou a ser percebida pelo cérebro do macaco como uma extensão da representação do seu corpo," disse Nicolelis. “Essencialmente, a cadeira de rodas está se tornando parte do corpo do macaco."

O estudo sugere que interfaces semelhantes poderiam ser usadas para ajudar pessoas com paralisia severa a navegar diversos dispositivos robóticos usando a mente.


Liderado pelo especialista em interfaces cerebrais Miguel Nicolelis, do Duke Health, este estudo é o primeiro a ter sucesso no uso de BMIs para locomoção do corpo inteiro. Ao implantar um dispositivo multicanal sem fio de alto rendimento no cérebro de macacos, os pesquisadores demonstraram que os animais podem aprender a conduzir uma cadeira de rodas usando cerca de 300 neurônios. O dispositivo permitiu a eles imaginar a trajetória de momento a momento e navegar até um alvo usando conexão sem fio.

O experimento faz parte do projeto Andar de Novo, de Nicolelis, que tem como foco tecnologias que leiam as ondas cerebrais de pessoas com paralisia para traduzi-las em sinais que possam controlar membros artificiais e outros dispositivos assistivos.

“Não estamos focados na cadeira de rodas – estamos desenvolvendo exoesqueletos robóticos paralelamente a isso," disse Nicolelis. “Mas, em princípio, pode ser qualquer tipo de dispositivo porque essa é uma abordagem de propósito geral." O sistema pode ser usado por pacientes com deficiências severas para controlar vários itens “inteligentes" pela casa.

(Via Gizmodo)