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Físico Geoffrey West explica as leis que regem o crescimento urbano no Fronteiras

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"Uma cidade de 1,5 milhões de pessoas tem quase a mesma dinâmica de uma cidade com 10 milhões de pessoas, porque elas são fundamentadas nas interações sociais, nas redes e na infraestrutura. Quem vier à palestra em Porto Alegre vai entender mais sobre isso." – Geoffrey West, físico britânico

Conheça o físico inglês Geoffrey West, conferencista do Fronteiras do Pensamento. Um dos mais destacados pesquisadores dos modelos científicos das grandes cidades, West une matemática e biologia para desenvolver, há mais de uma década, sistemas que prevejam o crescimento urbano.

Considerado pela revista norte-americana Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, Geoffrey West se tornou conhecido por seu trabalho na presidência do Santa Fe Institute (SFI), entidade sem fins lucrativos com sede no Novo México (EUA). O SFI, onde atualmente leciona, se dedica ao estudo multidisciplinar dos princípios fundamentais de sistemas adaptativos complexos, sejam eles físicos, computacionais, biológicos ou sociais.

Graduado em Cambridge e doutor por Stanford, onde trabalhou por décadas como professor, West é integrante da Sociedade Americana de Física, segunda maior organização de físicos do mundo, e já foi agraciado com prêmios como o Mercer Prize da Ecological Society of America, o Weldon Prize, por seu trabalho na área da Biologia Matemática, e o Glenn Award, por suas pesquisas sobre envelhecimento.

Um dos primeiros pesquisadores a estudar os modelos científicos das grandes cidades, o físico acredita que os sistemas complexos são governados por leis simples, que podem ser descobertas e analisadas. Segundo ele, as metrópoles, apesar de suas características únicas, são regidas e se desenvolvem com base em uma série de regras universais que determinam seu padrão de crescimento. Assim, ele busca entender como a sociedade, a economia e as redes de infraestrutura colaboram – ou não – para manter as metrópoles funcionando.

Com o apoio de outro físico, Luis Bettencourt, montou uma equipe de pesquisadores que se debruçou durante anos sobre dados estatísticos de grandes cidades. A partir desse trabalho, desenvolveu uma série de equações que, ao conhecer a população, permitem estimar características de cada local, como renda média, surtos de gripe, casos de AIDS, número de postos de gasolina, tamanho das ruas e as dimensões de seu sistema de tratamento de esgoto, por exemplo.

O pesquisador argumenta que as grandes metrópoles que apresentam os melhores resultados são aquelas que estimulam a interação entre seus moradores. Uma de suas maiores preocupações é a possibilidade das metrópoles continuarem crescendo sem apresentar melhorias em suas condições sociais. Para que isso não aconteça, ele argumenta que é preciso observar as outras cidades do mundo. Pois, apesar de sua história, geografia e cultura diversas, existe uma regularidade entre todas as megacidades.