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Joseph Stiglitz responde a Pergunta Braskem: incentivos fiscais para empresas que ensinam

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Joseph Stiglitz (foto: Greg Salibian/Fronteiras do Pensamento)
Joseph Stiglitz (foto: Greg Salibian/Fronteiras do Pensamento)

Nobel de Economia, Joseph Stiglitz foi o último conferencista da edição 2015 do Fronteiras do Pensamento São Paulo. Na conferência desta quarta-feira (04/10), intitulada Criando uma sociedade de aprendizagem, fez uma apresentação sobre o conceito de economia da informação, disseminado por ele e pelo economista Bruce Greenwald, que trata o conhecimento como bem de produção necessário para promover o crescimento e o desenvolvimento econômicos.

Após sua fala, Stiglitz respondeu as perguntas do público, dentre elas, a Pergunta Braskem, enviada por e-mail pela empresária Kátia Bertoni, que questiona: "Como investir na educação do funcionário com cargas tributárias tão altas?"

Stiglitz defendeu que os investimentos em educação e treinamento em empresas beneficiam não apenas as companhias que desembolsam os recursos mas as que estão ao seu redor. Por isso, afirmou, o governo brasileiro deveria conceder benefícios fiscais para encorajar o setor privado a investir na área: "Isenções de impostos preparariam a força de trabalho, gerariam um mercado muito mais preparado e isso traria um resultado positivo para toda a sociedade". Confira abaixo:

Kátia Bertoni: Tenho uma empresa e gostaria de investir mais na capacitação dos meus funcionários, mas 60% do que a empresa ganha vai para impostos. Outra grande parte vai para salários, serviços de saúde do funcionário e manutenção das máquinas e dos produtos. Como investir na educação do funcionário com cargas tributárias tão altas? O que eu enquanto empresária posso fazer e o que posso fazer enquanto cidadã, para pedir tanto aos governantes quanto à iniciativa privada mudem o paradigma de gestão das empresas e do país?

Joseph Stiglitz:
Uma das coisas que enfatizei na minha palestra é que existem consequências na aprendizagem que trazem benefícios aos trabalhadores e que melhoram outras empresas. Ou seja, há um valor social para se incentivar a aprendizagem em um país.

Na minha opinião, deveria haver créditos, reduções ou isenções, o sistema fiscal deveria ser usado para ajudar as empresas a investirem no treinamento e na educação de seus funcionários. Isenções de impostos preparariam a força de trabalho, gerariam um mercado muito mais preparado e isso traria um resultado positivo para toda a sociedade.

Agora, como resolver a questão da qualidade deste aprendizado, isso não é uma questão exclusiva do Brasil. Vocês acham que os Estados Unidos têm um sistema educacional de primeira ordem, mas uma parte muito pequena dos EUA é assim. Nossas boas universidades são, de fato, maravilhosas e dão uma educação muito boa, mas, se olharmos o padrão dos outros estados, o norte-americano médio, do interior, o ensino dele não é muito bom.

Existem muitos problemas e um deles é que os professores não ganham o suficiente. Se você tem uma economia como a dos EUA, onde você paga, para uma pessoa que trabalha em um banco, 100 vezes mais do que ganha um professor, você não vai ter pessoas preocupadas com a educação. Esta diferença salarial é um problema fundamental.

Outro problema nos EUA é que agora está na moda falar que os professores estão preguiçosos e desmotivados. Claro que seria ótimo ter uma força de trabalho nova e pessoas dedicadas. A questão é que a maioria dos nossos professores são dedicados sim e atribuir a culpa a eles os desmotiva. Temos que assumir que devemos motivar os professores, treinar nossa força de trabalho e teríamos, então, bons resultados. Alguns lugares dos EUA tentaram essa abordagem, como Massachusetts, e deu certo.


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