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Marina Silva e Fernando Gabeira: conectar para construir

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Construção acima da crítica. Conexão para combater a separação. Este foi o tecido do debateO Brasil e a questão ambiental, com Marina Silva e Fernando Gabeira, no Fronteiras do Pensamento Porto Alegre (28/05). Sustentabilidade enquanto modo de ser, um profundo reconectar os laços do homem consigo mesmo, com a natureza, com os outros.

Fernando Gabeira, positivo com relação aos movimentos ambientais que tem visto em suas viagens pelo país, afirmou: “Eu quero lembrar que o Brasil não é feito só de Brasília, mas de cidades interessantíssimas que estão preocupadas. Escrevi uma vez um livro falando sobre se mudar para perto da natureza, mas hoje aposto nas grandes metrópoles. Elas estão crescendo para dentro, se revitalizando. A sociedade está mudando sua cultura, engajada na produção imaterial."

Este bem imaterial é a base para a mudança de modelo, de acordo com Marina Silva. Para ela, sustentabilidade exige uma mudança total no modelo que vê felicidade no ter: “Como esse novo modelo nos fará produtivos, livres e criativos, se reconhecemos que o planeta é limitado?" De acordo com Marina, “É preciso mudar a maneira de nos sentirmos livres. Sermos e não termos. Estamos adoecendo pelo excesso. Precisamos nos reconectar com a falta."

Sustentabilidade enquanto interdependência. É preciso conexão com o tempo em um país que não tem planos a longo prazo, defendeu Gabeira. Devemos ultrapassar os breves quatro anos de mandato em nosso planejamento: “O que está sendo visto claramente é que a infraestrutura não consegue acompanhar o crescimento do número de carros, por exemplo. Nós estamos perdendo a nossa vida no engarrafamento. Mais do que isso: estamos perdendo a nossa produtividade".

União entre educação e natureza; entre Governo e população, utilizando as novas tecnologias para gerar diálogo urgente entre as vozes, argumentou Marina Silva. “Devemos passar do embate para o debate. A população tem o poder para quebrar o paradigma. Os dirigentes não estão nos representando. Cabe à população convocar os governantes com mentes do século XIX para a agenda do século XXI: união entre economia e ecologia", defendeu a historiadora.

O poder da comunicação, de uma inteligência interconectada, foi confirmado por Gabeira como essencial não apenas para a construção de um novo modelo, mas para acabar com a corrupção do vigente, que obstrui o desenvolvimento. Para ele, “A principal ferramenta para combater a corrupção é a transparência. Existe corrupção em todos os setores, não apenas nos licenciamentos ambientais. É impossível dirigir uma cidade não contando com a inteligência coletiva."

Na questão da corrupção, Marina Silva foi categórica e reafirmou a importância do fazer social: "rumar do espaço da queixa para o da atitude. Se corrupção for problema 'da Dilma', não mudará. Corrupção é um problema social. Exijam que os dados estejam na internet, desenvolvam aplicativos de fiscalização. Atuem positivamente. A atitude 'estamos de olho' será o fim da corrupção."