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Mario Vargas Llosa no Roda Viva

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O escritor peruano Mario Vargas Llosa esteve no Brasil para abrir o ciclo Fronteiras do Pensamento São Paulo 2013, em uma conferência sobre a banalização da cultura. Sob o título A civilização do espetáculo, homônimo ao livro publicado em espanhol, Llosa afirmou que a transformação da cultura em entretenimento e diversão pode causar o retrocesso da civilização à “caverna primitiva". Aproveitando a passagem pelo país, foi convidado do programa Roda Viva. Confira, abaixo, a matéria do CMAIS e o vídeo com o programa na íntegra.

“O romance vai se tornar banal, frívolo, quando os autores começarem a escrever para os tablets em vez de livros de papel" defende Mario Vargas Llosa. O escritor, escritor, político e jornalista peruano esteve no centro do Roda Viva desta segunda-feira e falou sobre a relação da literatura com a política e as artes. Sobre os livros digitais ele conclui: “isso é uma suspeita, não tenho fundamentos científicos para comprovar o que disse, mas acho que o romance vai decair. Minha esperança é que o livro de papel e o digital coexistam".

Para Vargas Llosa, a literatura tem que abordar temas políticos sem virar um objeto de propaganda. Ele acredita que seja uma tendência que se faça uma literatura apenas de entretenimento, e, segundo o autor, outros escritores evitam temas políticos por que não se sentem confortáveis e estimulados a tratar de política em suas obras. Porém, ela é importante, por que “nós entendemos muito do século XIX lendo Tolstoi, Balzac, Dickens, autores que abordaram a política em suas obras".

Na entrevista, Vargas Llosa revelou que Os Sertões, romance de Euclides da Cunha sobre a Guerra de Canudos, na Bahia, é um dos livros que mudou sua vida. “Deveria ser um livro obrigatório para entender o que é a América Latina", disse. Tanto que o escritor escreveu sua própria versão da Guerra de Canudos em A Guerra do Fim do Mundo. Durante a pesquisa para este livro, publicado em 1981, Vargas Llosa morou em Salvador e visitou os povoados por onde passou Antônio Conselheiro.