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O problema na divulgação da ciência

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Artigos científicos cada vez mais curtos. Veículos midiáticos que precisam vender notícias. Qual o real custo desta situação? Como a simplificação de estudos que duraram décadas pode impactar a percepção da população sobre a medicina e como isso afeta a vida de pacientes em busca de novos tratamentos? Reunimos dois cientistas mundialmente conhecidos que manifestam preocupação com a questão.

António Damásio, neurocientista português, argumenta que reduzir informações na divulgação das pesquisas é um retrocesso. Citações incompletas e conhecimento prévio omitido geram uma ciência sem passado que aponta resultados removendo a história do comportamento humano.

Porém, o problema é muito maior do que apenas erros ou lacunas na compreensão, de acordo com outra cientista, a geneticista Lygia da Veiga Pereira, que abordou o tema no Fronteiras 2011. A médica alertou para a atuação de inúmeras clínicas facilmente localizáveis na internet que vendem, a altos preços, tratamentos ainda inexistentes, que são oferecidos com base em um futuro divulgado pela mídia como presente para atrair leitores: "há essa percepção generalizada e isso junto com o desespero dos pacientes, e eu entendo esse desespero, e então você tem essa população muito suscetível a estes charlatões", explica.

Comunidades científicas por todo o planeta têm se reunido com o objetivo de esclarecer o que é promessa, pesquisa ou realidade. A preocupação com informações equivocadas ou distorcidas chegando à população é grande e um extenso trabalho precisa ser feito tanto para explicar as conquistas da ciência contemporânea quanto para impedir que clínicas abusem da vulnerabilidade de pacientes com doenças graves.

Na França, um projeto organizado pela Associação de Jornalistas Científicos pela Imprensa (AJSPI), reúne mídia e pesquisadores por uma semana em um ambiente fora de redações e laboratórios para que avanços sejam esclarecidos e a divulgação seja estudada por ambas as partes.

No Reino Unido, a Associação Britânica pelo Avanço da Ciência (BA) tem desenvolvido parcerias com a mídia desde 1987 para que pesquisadores recebam, em primeira mão, material de veículos como BBC News, Nature e BBC Television.

Na Alemanha, a Iniciativa Europeia dos Comunicadores da Ciência (EICOS) oferece aos jornalistas a oportunidade de participarem das pesquisas nos laboratórios para facilitar o diálogo.

Assista, abaixo, aos vídeos com António Damásio e Lygia da Veiga Pereira.

António Damásio - O problema na divulgação da ciência

Lygia da Veiga Pereira - a influência da mídia nas pesquisas científicas