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Os limites da ciência na compreensão do ser humano

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A ciência e a essência de ser humano foi o tópico da conversa entre o físico Brian Greene, o neurocientista Miguel Nicolelis e o escritor Leon Wieseltier, em evento do World Science Festival, na NYU, na última quinta-feira (02).

O tema se desdobra em diversas reflexões: o perigo da Big Data na quantificação de questões subjetivas, a explicação neurológica para a tomada de decisão e o livre arbítrio, a complexidade cerebral e a complexidade do universo: quais leis compartilhamos e quais não nos explicam? O encontro, além de belo e interessante, assume um tom engraçado de conversa entre amigos. Vale a pena assistir (na íntegra, em inglês). Confira abaixo um breve excerto da fala entre Nicolelis e Greene:

MIGUEL NICOLELIS: Em algum grau, alguns atributos que vieram com a evolução podem não ser simplesmente previstos pelos mesmos mecanismos que utilizamos para compreender o universo. O universo que existe entre nossas orelhas, ouso dizer em frente a um físico teórico, é muito mais complexo.

BRIAN GREENE: concordo completamente com o que você diz e o motivo pelo qual eu estudo física é porque é muito mais simples. (risos) Estou falando sério. Em mecânica quântica, conseguimos compreender o comportamento de sistemas com poucas partículas, mas me dê algo com todas estas conexões, partículas dentro da cabeça e não há físico vivo que possa fazer algo com isso.

MIGUEL NICOLELIS: sou um grande fã de mecânica quântica, física, mesmo sendo um amador nestes campos, mas a beleza disso é que tudo que vocês fizeram veio do cérebro, da biologia produzida pela evolução. O que está fora de nós é o universo humano. É um épico contado pelo cérebro humano. Todos estes conceitos, elétrons, quarks, campos, tudo vem da biologia do nosso cérebro.

BRIAN GREENE: espere aí. Então, você quer dizer que, se contatarmos alienígenas em um futuro muito longínquo e os perguntarmos sobre suas visões a respeito do universo, há uma chance deles terem uma teoria radicalmente diferente da nossa porque a biologia deles é diferente?

Assista à resposta de Nicolelis a esta e a muitas outras questões: