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Paul Bloom une biologia e cultura para explicar a moralidade no Fronteiras Florianópolis

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"Nós somos altamente influenciados pelo comportamento das pessoas ao redor. Os comportamentos intrínsecos são os básicos, mas o meio que vivemos e os exemplos que temos são responsável pela maior parte do que nos tornamos como adultos". - Paul Bloom no Fronteiras do Pensamento Florianópolis 2014

O psicólogo canadense Paul Bloom foi o conferencista da terceira noite do Fronteiras do Pensamento Florianópolis. O principal tema de sua fala, intitulada O que nos faz bons ou maus, foi como os bebês são já possuem noções rudimentares de moral. Bloom exemplificou com uma de suas experiências: apresentados a bebês, dois fantoches brincavam com uma bola e, posteriormente, um deles fugia com ela. Ao serem confrontados com os dois personagens, os bebês raramente escolhiam brincar com o personagem que eles caracterizavam como vilão e muitos ainda buscavam punir o personagem malvado.

As noções de moral são limitadas em bebês, isso porque os exemplos das instituições que nos cercam também são necessários para formação do caráter em um adulto. Mas, as evidências de que elas existem rudimentarmente já no início da infância são apresentadas em seus estudos. Geralmente, as questões morais são mais fortes quando relacionados a conhecidos da criança.

Partindo no mesmo princípio, Bloom argumentou que campanhas de marketing de arrecadação de donativos personificam vítimas. "Pela banalização da violência, quando falamos que 300 pessoas morreram ou sofrem em um país distante, geralmente falaremos: que pena, e seguiremos nossa vida. Se vemos quem sofre como um igual ou um personagem específico sofrendo, nossa resposta é muito mais rápida e particular para ajudá-las", alegou.

Tudo isso está relacionado à empatia e a como histórias de outros passam a ser importantes para nós. "Mas, a empatia não pode ser sentida por todo mundo. Você acaba escolhendo por quem ter empatia", analisa Bloom. Outro ponto relacionado tratado pelo psicólogo é o egoísmo em bebês. "As crianças não são egoístas. Porém, elas fariam de tudo para ter uma vantagem relativa", explica, mostrando suas experiências.

Apesar dos estudos do especialista serem focados nas origens biológicas da moral, Bloom conclui que a moralidade é uma construção cultural e social. "Nós somos altamente influenciados pelo comportamento das pessoas ao redor. Os comportamentos intrínsecos são os básicos, mas o meio que vivemos e os exemplos que temos são responsável pela maior parte do que nos tornamos como adultos".

Atualmente, Paul Bloom é professor de psicologia de Yale e tem diversos artigos publicados em revistas científicas como Nature e Science, além de possuir colunas em diversos jornais internacionais.

O evento que trouxe a Santa Catarina o escritor moçambicano Mia Couto, o neurocientista Miguel Nicolelis e o psicólogo canadense Paul Bloom teve as três noites com ingressos esgotados. O Fronteiras do Pensamento Florianópolis 2014 é uma realização da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. O evento tem patrocínio de Softplan e Intelbras, apoio da Tractebel Energia e planejamento cultural da Telos.