Voltar para Notícias

Pergunta Braskem Contardo Calligaris: por que viver juntos?

As ideias que movem o mundo em um único lugar. Cadastre-se e receba mensalmente o melhor do Fronteiras

Cadastrado com sucesso

“Nós temos uma ideia preconcebida de que o fato de termos meios de conviver, de estarmos juntos, de uma maneira ou de outra, fisicamente ou não, seja bom. Eu não sei se é. Não se seria mais interessante se perguntar como é que vamos fazer para conseguir estarmos sozinhos, apesar do número de pessoas que aumenta. Por que estar juntos seria bom?"

Contardo Calligaris, o psicanalista italiano que desafiou o desafio Como viver juntos, proposto pelo Fronteiras este ano, sobe ao palco do Teatro Castro Alves nesta quinta-feira, 01 de outubro, para proferir a última conferência da edição especial do Fronteiras Braskem do Pensamento 2015.

Como a convivência constante pode prejudicar o entendimento do eu? Como podemos dissociar os desejos de tantas pessoas dos nossos grandes sentidos de vida? O que é a boa vida para a psicanálise? Como ela pode nos ajudar a sermos melhores? Devemos querer ser melhores? Qual o grande conselho que a psicanálise pode dar para a contemporaneidade? Existe alguma questão sobre o homem que a psicanálise não consiga responder? Talvez não, mas é um desafio que vale a pena.

Envie sua pergunta (ou seu desafio) para Contardo Calligaris de qualquer parte do Brasil por meio do e-mail digital@fronteiras.com. O psicanalista a responderá diretamente do palco do TCA, após sua conferência. Divulgaremos a resposta na sexta-feira, nos canais digitais do Fronteiras. Assista abaixo ao vídeo em que Calligaris questiona a necessidade de vivermos juntos e leia mais sobre a vida do psicanalista.


Calligaris domina pelo menos quatro idiomas e é hábil em induzir as pessoas à reflexão sobre a existência humana, contribuindo para amenizar as angústias provocadas pelos desafios contemporâneos. Ele é especialmente versado nas questões da adolescência, etapa da vida que Contardo revela ser portadora de intensa carga cultural, uma das mais potentes fontes de energia da atualidade. É neste sentido que ele enfoca o adolescente, em um de seus livros mais lidos e estudados, A adolescência.

A história de vida de Calligaris faz jus à sua afirmação, de que buscar uma vida interessante pode ser mais significativo do que buscar uma vida feliz. Nascido na cidade italiana de Milão, os 15 anos fugiu da casa dos pais para morar em Londres. Vendeu roupas, lavou pratos, distribuiu folhetos de uma boate de strip-tease e voltou a Milão, para estudar ciências políticas, virando fotógrafo e tradutor e conhecendo sua primeira mulher, uma americana.

Em maio de 1968, foi a Paris participar das revoltas estudantis e, no final daquele ano, mudou-se para a Suíça, onde começou a estudar letras e filosofia, na Universidade de Genebra. Nos anos 70, Contardo foi fazer terapia. E se viu tão interessado por psicanálise que mudou de área. Em 1975, foi aceito como membro da Escola Freudiana de Paris, cidade onde morou até 1989, ensinando na Universidade Paris 8 e tendo aulas com os filósofos Roland Barthes (1915-1980) e Michel Foucault (1926-1984), além de acompanhar os seminários ministrados por Lacan, a grande influência para que iniciasse sua formação em psicanálise.

Em 1985, ele já era pai de um menino quando veio ao Brasil pela primeira vez, para o lançamento de seu primeiro livro de Psicanálise, Hipótese sobre o fantasma. Em Porto Alegre como conferencista, conheceu uma gaúcha que se tornaria sua mulher por mais de 20 anos. Em São Paulo, um grupo de analistas propôs que ele ficasse 15 dias a cada 2 meses no país, para se reanalisarem com ele. Calligaris achou a proposta interessante e aceitou, chegando a vir morar no Brasil posteriormente.

Com oito casamento, uma dezena de livros e centenas de aventuras, Contardo Calligaris é colunista da Folha, criador de séries para a televisão e conferencista do Fronteiras Braskem do Pensamento nesta quinta-feira, 01 de outubro, às 20h30, no Teatro Castro Alves.

Não esqueça: envie sua Pergunta Braskem para Calligaris para o e-mail digital@fronteiras.com até a manhã de quinta (01/10).