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Philip Glass lança aguardada biografia, "Words without music"

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Philip Glass (foto: Fronteiras do Pensamento)
Philip Glass (foto: Fronteiras do Pensamento)

Um menino do interior norte-americano, que ajudava na loja de discos de seu pai, vai estudar música na renomada Juilliard School, em Nova York. Para se sustentar, trabalhava de dia – seja como encanador ou motorista de táxi, apresentando seu trabalho nas noites nova-iorquinas com uma primeira recepção frustrante. Suas músicas, inicialmente, foram consideradas uma piada. Já o público, jogava objetos no palco durante sua apresentação.

Esta poderia ser a trágica história de um artista desconhecido, mas é parte essencial da biografia de Philip Glass. A vida de Glass acaba de ser lançada na aguardada obra Words without music. O livro, com mais de 400 páginas, vai de sua infância na cidade de Baltimore a como se tornou um dos mais importantes compositores do século 20.

Misturando a história pessoal e profissional do compositor à da cultura norte-americana, Words without music conta com um contexto sensível, que retrata os valores de Glass: os pequenos detalhes do cotidiano revelam a vida de um artista que nunca deixou de lado o dia-a-dia para atingir o reconhecimento que conquistou. Em entrevista sobre o livro, Glass desabafa suas grandes questões – e respostas:

"Qual o significado da vida de um artista? Ou da vida de qualquer pessoa? A vida de um médico, de um professor, de um entrevistador no rádio – qual o significado disso? Estou mais e mais propenso à ideia de que a ancestralidade e a conexão com o passado e com o futuro – que é a real conexão. Tudo o mais, penso, é um pouco imaginário. Há um céu que está nos esperando para algum tipo de vica após a morte? Não sei. Na verdade, isso sequer é importante.

O importante é como estamos conectados ao passado. Ele representa não apenas continuidade, mas nos aproxima de algo que é mais rico, mais interessante? O que trouxemos ao mundo e o que deixaremos para trás e o que o futuro nos reserva? O futuro... Está em nossos filhos. Em nossos amigos. Em nosso trabalho. Está à nossa volta.

É tão reconfortante quando contemplamos a vida e a morte, que deixamos escapar o ponto principal: não se trata de viver ou morrer – é a continuidade das vidas que importa."

Saiba mais sobre Words without music no site oficial

Assista abaixo ao curta-metragem do Fronteiras do Pensamento, What are you looking for?, em que Philip Glass faz uma reflexão intimista sobre os 65 anos que dedicou à linguagem musical.