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Projeto social reúne arquitetos e constrói escolas para refugiados sírios

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Em um dos maiores campos de refugiados do mundo, Zaatari, no Norte da Jordânia, nasceram escolas feitas de andaimes, pedras e areia. São parte do projeto Re:Build, que tem como objetivo erguer rapidamente espaços seguros e confortáveis em campos de refugiados e situações de emergência.

Idealizado pela organização sem fins lucrativos Pilosio Building Peace, em colaboração com os arquitetos Pouya Khazaeli e Cameron Sinclair, o projeto permite a construção de edificações temporárias de alta qualidade através do uso de painéis feitos a partir de andaimes e telas metálicas, que são, então, montados e preenchidos com cascalho, areia ou terra, criando ambientes internos bem isolados e de baixo custo.

Uma equipe de dez trabalhadores, sem qualquer conhecimento, é capaz de montar uma estrutura de 16 x 16 metros em duas semanas, com a supervisão de um técnico da Pilosio Building Peace. De acordo com o site de Cameron Sinclair, o custo total da construção de uma estrutura desse tamanho situa-se nos 30.000 euros. Assista ao time-lapse da construção abaixo.

A estrutura não depende da existência de eletricidade ou água no local para ser construída e pode ser usada em hospitais, habitações e outros tipos de edificação, como as escolas na Jordânia. Os arquitetos envolvidos no projeto explicam o porquê da iniciativa: “Segundo a agência de refugiados das Nações Unidas e a organização Save the Children, dos atuais refugiados espalhados pelo mundo, mais de 1,3 milhões são menores de 18 anos. As crianças sírias, tanto refugiadas como aquelas que estão em seu país, precisam desesperadamente de acesso não apenas às necessidades básicas, mas também à educação. Muitas delas já estão fora da escola há três anos e dois terços dos refugiados sírios que deveriam estar estudando não estão recebendo nenhum tipo de educação."

O projeto desenvolveu uma estrutura básica para escolas em campos de refugiados que combina elementos naturais, como areia, elementos construtivos, como tubos de andaimes, e a mão de obra dos próprios refugiados. A contribuição dos refugiados na montagem dessas estruturas lhes traz o sentimento de estarem, novamente, no comando de seus próprios destinos. O uso da areia, isolante natural e elemento típico da cultura síria, torna a construção bastante econômica.

Os primeiros dois projetos aconteceram na Jordânia, em Zaatari e no Queen Rania Park, para responder à "escassez de instalações educativas para os refugiados sírios em idade escolar". Agora, na Somália, várias estruturas estão já numa fase avançada de preparação, estando prevista a construção de uma área inteira de um campo de refugiados, compreendendo escola, mercado, área residencial, cantina e centro de informações para a comunidade local.

(Via ArchDaily e Publico)


A importância do arquiteto utilizar mão de obra local e de compreender a realidade da população foi amplamente discutido por Cameron Sinclair em sua conferência ao Fronteiras do Pensamento. Também, na entrevista exclusiva que concedeu ao Fronteiras e que está disponível na íntegra em nosso site. Abaixo, incorporamos um excerto da fala de Sinclair sobre a sustentabilidade social. Clique aqui para assistir à entrevista completa.