Voltar para Notícias

Tecnologia, saúde, futuro: grandes mentes fazem previsões para a próxima década

As ideias que movem o mundo em um único lugar. Cadastre-se e receba mensalmente o melhor do Fronteiras

Cadastrado com sucesso

Nas últimas duas décadas, a tecnologia provocou inúmeras disrupções e modificou nossa interação com pessoas e marcas. Redes sociais, vídeos sob demanda, pagamentos online, ecommerce, streaming de música e, sem contar os smartphones, que se tornaram tão indispensáveis.

Há 20 anos, comenta Edmardo Galli, CEO da IgnitionOne, locadoras de vídeo ainda dominavam o mercado e não conseguiram prever o surgimento disruptivo do Netflix; há exatos 20 anos surgiam os celulares “tijolões", do tamanho de um telefone fixo e com longas antenas – curioso observar que, apenas um ano depois, em 1996, os celulares já tinham seu tamanho reduzido em 50%; Android era uma pequena startup que o Google tinha acabado de comprar e, hoje, o Google já tem mais de 1 bilhão de usuários de Android ativos; ninguém tinha ouvido falar de Uber ou AirBnb, hoje empresas que valem mais de $20 bilhões cada uma; Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat, Tumblr, Spotify, Skype e muitas outras ferramentas que hoje usamos intensamente em nosso dia a dia, simplesmente não existiam.

É curioso como as tecnologias que moldam nosso cotidiano não existiam há tão pouco tempo. E o que virá pela frente? A questão foi apresentada pelo The Huffington Post a grandes mentes de diferentes áreas, como Michio Kaku, Mark Stevenson e Raymond Kurzweil, que já esteve no Fronteiras do Pensamento para abordar a temática, em 2010. Leia abaixo algumas das opiniões:

MICHIO KAKU, professor da City University of New York, autor de O futuro da mente

"Nos próximos dez anos, veremos uma transição gradual de uma Internet para uma brain-net [cérebro-net], em que pensamentos, emoções, sentimentos e memórias poderão ser transmitidos instantaneamente através do planeta.

Cientistas já podem ligar o cérebro ao computador e começar a decodificar algumas memórias e pensamentos. Isso, eventualmente, revolucionará a comunicação e até o entretenimento. Os filmes do futuro serão capazes de transmitir emoções e sentimentos, não apenas imagens em uma tela (adolescentes enlouquecerão nas mídias sociais, enviando memórias e sensações de suas formaturas, primeiros encontros, etc). Historiadores e escritores serão capazes de registrar os eventos não apenas digitalmente, mas também emocionalmente. Talvez, até as tensões entre as pessoas diminuirão, já que elas começarão a sentir e experimentar a dor dos outros."

Ray Kurzweil, pioneiro na ciência da computação, diretor de engenharia da Google

"Até 2025, impressoras 3D imprimirão roupas a baixíssimo custo. Haverá variados tipos de design de código aberto, mas as pessoas ainda gastarão dinheiro para baixar arquivos de roupas do último grande designer, assim como gastam hoje com ebooks, música e filmes, apesar de todo material gratuito disponível. As impressoras 3D também imprimirão órgãos humanos usando células-tronco modificadas e sem problemas de rejeição.

Passaremos um tempo considerável no mundo vitrual, as realidades aumentadas permitirão que visitemos as pessoas mesmo que estejam muito distantes. Seremos capazes, inclusive, de nos tocarmos. Algumas das pessoas que visitaremos dentro destas novas realidades serão avatares. Eles serão cativantes, mas não tão desenvolvidos em comparação aos humanos em 2025, isso acontecerá apenas por volta de 2030.

Seremos capazes de reprogramar a biologia humana, evitando diversas doenças e processos de envelhecimento, como, por exemplo, desativando as células causadoras de câncer e retardando a progressão da arteriosclerose, a causa das doenças cardíacas.

Seremos capazes de criar avatares de pessoas falecidas a partir de toda informação que deixaram para trás (e-mails, documentos, imagens, vídeos, entrevistas com pessoas que lembram delas). Isso também será cativante, mas só plenamente realista por volta e 2030, então, algumas pessoas considerarão esta tecnologia perturbadora."

Anne Lise Kjaer, fundadora da agência de previsão de tendências Kjaer Global:

“A Organização Mundial da Saúde prevê que, até 2020, doenças crônicas serão responsáveis por três quartos das mortes no mundo. Então, a evolução da m-Health (diagnósticos mobile, biofeedback e monitoramento pessoal) revolucionará o tratamento de condições como diabetes e pressão alta. Apps criados por profissionais da saúde fornecerão feedback em tempo real de forma eficiente, identificando condições crônicas em estágios iniciais, ajudando a melhorar a qualidade de vida em comunidades de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Esta melhoria no nosso bem-estar físico é empolgante, mas o que mais me empolga é o desenvolvimento paralelo de apps que ajudarão nossa saúde mental, tão negligenciada."

Mark Stevenson, autor de An Optimist's Tour of the Future:

“As tecnologias não são a questão mais importante, apesar de serem muito interessantes, mas sim o que a sociedade faz com elas. Atualmente, a pauta tem sido uma mudança institucional. O que você realmente deve observar, creio, são as novas formas de organização social. Meu novo livro, por exemplo, fala da revolução de energias renováveis em uma pequena cidade da Áustria, uma droga com código aberto na Índia, redes de pacientes como PatientsLikeMe e escolas que estão jogando fora seus currículos para proverem algum aprendizado de verdade."

(introdução via ExchangeWire | depoimentos via The Huffington Post | tradução Fronteiras)