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Valter Hugo Mãe responde: a inescapável consciência da morte

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Mãe no Fronteiras SP (foto: Fronteiras do Pensamento/Greg Salibian)
Mãe no Fronteiras SP (foto: Fronteiras do Pensamento/Greg Salibian)

Uma vida sagrada, em que o divino está entre os homens, em suas relações com o mundo. Uma vida em que Deus está presente no cotidiano, nas palavras e nos livros cujas mensagens, histórias e questionamentos são trazidos para perto de nós. Estas foram algumas ideias trazidas pelo escritor português Valter Hugo Mãe, em sua fala escrita para o público do Fronteiras do Pensamento São Paulo (31/8), intitulada Deus era um livro.

Todos os conferencistas que passam pelo palco do Fronteiras são convidados a responder uma pergunta enviada pelo público seguidor do projeto nos canais digitais: é a iniciativa Pergunta Braskem. Recebemos diversas questões para Valter Hugo Mãe e agradecemos a todos pela participação. Desta vez, a pergunta selecionada veio de uma fã das obras do português, que se diz curiosa sobre o processo de criação de personagens tão diversas. Confira abaixo a pergunta de Elisa Cazorla:

Prezado Valter, sendo um autor tão jovem, me enche de muita admiração e também de curiosidade para saber como é o processo de construção de personagens tão diversas. Como é o seu processo? Além de seu próprio pai, onde mais você encontrou inspiração para conseguir perceber e narrar os medos, os mais profundos e íntimos sentimentos daqueles que sabem que estão diante da morte?

Valter Hugo Mãe: Eu desde muito cedo frequento uma ideia de morte, porque, além de uma forte hipocondria do meu pai, eu nasci depois da morte de um irmão meu. Então, esse irmão era uma presença ausente lá em casa, uma pessoa que nós precisávamos amar sem ver, precisávamos acompanhar de alguma forma sem poder tocar, sem saber como era o rosto. Então, eu achei sempre que a morte era uma coisa fácil, que não precisava ser velho para morrer.

Tive aquela infância que nunca foi infinita, nunca tive a consciência de uma infinitude da vida, nunca tive muita noção de que a velhice era uma distância muito longe. Sempre achei que tudo era demasiadamente perto. De alguma forma, a morte foi uma coisa companheira. A minha constante preocupação com quem são os outros e, sobretudo, com o tempo de sofrimento dos outros, o declínio, a morte... Acho que é uma forma de ser da qual eu nem poderia abdicar, porque, antes de saber ser outra coisa, eu já era assim. Eu já tinha essa influência desse desaparecimento, desta percepção de que podemos desaparecer com muita facilidade.


Valter Hugo Mãe segue no Brasil para conferência no Fronteiras em Salvador, nesta segunda-feira. Para o público baiano, criou nova conferência em que pretende abordar a literatura na busca pela felicidade. Ingressos à venda. Garanta sua presença ao longo do fim de semana.

Confira abaixo algumas fotos da conferência de Hugo Mãe no Fronteiras São Paulo.