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APRENDIZADOS: Estamos prontos para refletir sobre as transformações que vivemos?

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Crédito da imagem: Rochelle Connolley
Crédito da imagem: Rochelle Connolley

A pandemia é o assunto principal da pauta diária. Está na imprensa, nas redes sociais e nas conversas. Não poderia ser diferente. Pense no quanto a sua rotina ou pensamento foram alterados a partir dos efeitos da Covid-19 no Brasil. A minha e sua vida mudaram ou ainda irão mudar. O que dizer, então, sobre a vida do mundo?

Este é um momento único na história. Enfrentamos um vírus que parece retirado de filme de ficção científica ou de uma época remota. Com a ajuda do Fronteiras do Pensamento, a revista Época reuniu nove pensadores – e conferencistas do projeto – para refletirem sobre como a transformação dos fatos nos últimos cinco meses impactaram o mundo em que vivemos.

Foram entrevistados Camille PagliaTimothy Garton AshSteven LevitskyDeirdre McCloskeyLuc FerryGilles LipovetskyElisabeth RoudinescoBoaventura Sousa Santos e Joshua Greene. Ideias, visões e conceitos diferentes. Para que você também forme os seus.


>> Clique para ler o texto completo (exclusivo para assinantes da revista Época)

Nesta temporada, o Fronteiras do Pensamento vai debater Reinvenção do humano. Os reflexos da pandemia, do isolamento social e da transformação global serão tópicos das conferências. Nesta newsletter de conteúdos especiais trazemos uma seleção de ideias de cinco pensadores entrevistados pela Época. O que você já aprendeu com a pandemia?

"O maior perigo é a diminuição da cooperação entre os países e o aumento dos conflitos internacionais."

Timothy Garton Ash

“A burguesia precisou sair de seu conforto e foi forçada a admitir que há coisas que ela não pode controlar ou comprar. Todo o seu sistema de crenças foi abalado. O coronavírus é um tremendo balde de água fria na arrogância da cultura burguesa ocidental. Não invejo os políticos que precisam tomar decisões sobre a volta ao trabalho e como equilibrar saúde e economia. Não sabemos se haverá novos surtos da doença quando a economia reabrir, apenas que as perdas serão maiores para os trabalhadores braçais e os pequenos comerciantes.”

Camille Paglia, professora e escritora norte-americana, conferencista do projeto em 2007 e 2015.


“Estamos em uma situação semelhante à do pós-guerra. A questão é: qual pós-guerra? O pós-guerra de 1945, cujo saldo é positivo ao menos para a Europa e para a América do Norte? Ou o pós-guerra de 1918, que nos deu Adolf Hitler, Benito Mussolini e outra guerra 20 anos depois? Meu grupo em Oxford conduziu uma pesquisa em toda a Europa em março e uma das conclusões mais extraordinárias é que 71% dos europeus apoiam a renda básica universal. É impressionante! Os que apoiam a imposição de um salário mínimo obrigatório são 84%. Esses dados ajudam a dar uma ideia de que mudanças positivas são possíveis. A crise pode nos levar a um futuro mais social-democrata, igualitário e verde.”


Timothy Garton Ash
, cientista político britânico e conferencista do projeto em 2007.


“Diferentemente do que parecem pensar o brasileiro Jair Bolsonaro, o americano Donald Trump e o britânico Boris Johnson, piadinhas infantis e pensamento mágico não afastam a doença. A longo prazo, vamos ter de investir mais em pesquisas científicas sobre os vírus e precisamos que os serviços públicos de saúde estejam prontos para enfrentar a próxima epidemia. Porque haverá outra, talvez pior. O Brasil precisa elevar o nível de seus institutos de pesquisa e também de suas faculdades de medicina para formar profissionais prontos para trabalhar no serviço público de saúde. Nós, liberais, não somos contra a ação governamental para impedir o desmatamento, a grilagem ou epidemias, especialmente quando a ação é rápida e decisiva.”

Deirdre McCloskey, economista norte-americana e conferencista do projeto em 2016.


“Como a magnitude desta pandemia não tem precedentes, há a tentação de 'começar de novo', de apostar em mudanças civilizatórias. A verdade é que existe uma chance de 99% de que tudo volte a ser como antes da pandemia, só que estaremos mais pobres e nossa convivência será mais difícil e restrita. Os políticos vão anunciar grandes mudanças. Suas vozes vão tremer quando nos disserem que outro mundo é possível, que vamos relocalizar, reindustrializar, reconquistar nossa independência sanitária e alimentar. Depois eles vão perceber — na verdade, eles já sabem — que os cofres do Estado estão vazios e suas promessas desaparecerão tão rapidamente quanto as que costumam fazer em época de eleição.”

Luc Ferry, filósofo conferencista do Fronteiras em 2019.




“Em primeiro lugar, o vírus nos ensina que o mercado não pode ser a única solução para nossos problemas. Precisamos de outras instâncias. Amanhã pode ser que haja outras, mas hoje essa instância é o Estado. Um Estado democrático forte, que proteja e não reprima, que vigie a saúde, e não as consciências. A segunda lição é que, com toda a violência ideológica com que adentrou a política, a extrema-direita fracassou. Vendeu-se como uma solução antissistêmica, mas olhe a situação dramática dos países que governa. O britânico Boris Johnson queria fechar as fronteiras aos imigrantes, mas pegou o vírus e foi salvo por um enfermeiro português e por uma enfermeira neozelandesa. Jair Bolsonaro quer colocar a culpa da catástrofe no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal. A extrema-direita vai sair desacreditada. Eles falam muito e fazem pouco. São bons para destruir, mas não para construir. Em terceiro lugar, ao agravar as desigualdades sociais, o vírus mostra que temos de diminuir a vulnerabilidade das pessoas. Depois do vírus, precisaremos pensar em como reorganizar a sociedade.”

Boaventura Sousa Santos, professor de economia português.


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