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A luta contínua pela democracia por Timothy Snyder

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Crédito da imagem: Unseen histories / Unsplash
Crédito da imagem: Unseen histories / Unsplash

Nossa rotina e preocupações de hoje, em função da pandemia de Covid-19, não eram previstas por ninguém cinco anos atrás. Tentar imaginar como serão os próximos anos remete a uma das maiores lição que a história nos dá, de que sempre há mais possibilidades dentro de um momento, de que costumam acontecer coisas que sequer cogitamos.

A constatação é defendida pelo historiador estadunidense Timothy Snyder, autor das célebres obras “Na contramão da liberdade” e “Sobre a tirania”. Em sua conferência no Fronteiras do Pensamento 2020, que teve como tema a Reinvenção do humano, Snyder ressaltou a importância de estudar os acontecimentos passados: “A história nos ensina que as coisas são muito mais abertas do que pensamos”. A imprevisibilidade pode ser tanto negativa como positiva, afirma ele.

>> Leia também: "Timothy Snyder: futuro, liberdade e democracia"

Outro ensinamento da história é que quando a democracia se reergue, ela costuma se reerguer de forma mais rica. Isso pode ser pensado para o momento atual, para os países que enfrentam uma crise, como o Brasil, visto que ela não pode ser reestabelecida da mesma maneira de alguns anos atrás, que se mostrou falha.   

Em entrevista à Braskem, Snyder fala sobre como o conhecimento da história pode ajudar as gerações futuras e o que a sociedade pode fazer para aprimorar seus processos em prol da democracia. Segundo ele, reivindicar é parte essencial da verdadeira democracia, que não existe de forma automática, mas sim por meio de um povo que quer governar. Para o historiador, precisamos ter atitudes que ultrapassem o voto, precisamos ter postura ativa, depositar envolvimento na sociedade civil.  

>> Confira um trecho da entrevista exclusiva de Snyder à Braskem e assista ao vídeo completo: 

“Todos precisamos da história em um nível muito essencial, para que não nos sintamos presos no presente. É muito fácil se sentir preso no presente pela mídia, pela propaganda, por um clima político deprimente. É muito fácil pensar, bem, as coisas são assim mesmo. A história nos ensina que as coisas vão mudar e as escolhas humanas de fato têm algum tipo de efeito causal sobre como as coisas mudam.

A história também é muito importante enquanto autodefesa, porque as pessoas que querem tomar o poder também tentarão tomar o controle sobre o passado. Elas contarão a você uma história sobre quem estava certo e quem estava errado, quem era inocente e quem era culpado, e tentarão imobilizar suas populações com esses contos de fadas. E a história sempre nos diz, “não, foi mais complexo que isso. Era assim, há todas essas coisas sobre as quais o líder não está falando”. Então a história é sempre uma forma de autodefesa.

Quanto às sociedades e a democratização, essas são questões éticas, e a democracia significa governo do povo. Portanto, se você é do povo, deve pensar “eu tenho o direito de governar”. A democracia não é algo que deriva automaticamente de algum processo. A democracia só ocorre se o povo afirma que merece governar, que merece votar e merece governar. Então não é suficiente, mas é necessário que as pessoas pensem na democracia como um projeto de reivindicação, algo que iremos reivindicar de volta para nós não apenas através do voto, mas também cooperando com os outros na sociedade civil e nos manifestando. Eu acho que esse tipo de postura ativa é muito importante.”

 >> Assista a entrevista na íntegra: