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Pierre Lévy: os 03 fundamentos da democracia virtual

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O filósofo da comunicação Pierre Lévy é reconhecido por suas pesquisas na área das tecnologias da inteligência e das interações entre informação e sociedade. 

Ele é conhecido por desmistificar muitas ideias equivocadas sobre a comunicação, como quando colocamos o “virtual” como um fenômeno ligado às telas ou quando falamos até mesmo sobre “novas tecnologias” que, na realidade, são apenas evoluções de mecanismos muito antigos. 

Ou seja, Lévy é capaz de dar uma dimensão histórica riquíssima ao que hoje vivemos, revelando um tecido coeso no caminho da humanidade a partir da comunicação.

Mestre em História da Ciência e Ph.D. em Comunicação e Sociologia e Ciências da Informação pela Universidade de Sorbonne, é um dos mais importantes defensores do uso da internet para fortalecer a democracia, tema da entrevista que concedeu à Braskem e que você confere logo abaixo.

Pierre Lévy estará no Fronteiras do Pensamento Salvador deste ano.

Além da conferência o filósofo francês, o projeto ainda promoverá um debate especial entre a filósofa Djamila Ribeiro e a historiadora Lilia Schwarcz. A série inicia já no dia 06 de agosto, com a conferência do escritor cubano Leonardo Padura. As vagas estão abertas e os lugares são limitados.

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O que é a democracia virtual e como ela está impactando os regimes políticos?

Pierre Lévy: Existem muitas definições diferentes de e-democracia ou democracia virtual. Para mim, os aspectos mais interessantes são, primeiramente, a possibilidade de todos falarem por si mesmos. É a liberdade de expressão que hoje temos com a internet e que não tínhamos na época do monopólio dos meios de comunicação de massa, que eram controlados por um pequeno grupo de pessoas.

Outro aspecto é que hoje creio que exista mais transparência ou pelo menos desejo de transparência nos Governos e nas grandes empresas, por parte dos cidadãos. E também temos os meios técnicos necessários para esta transparência.

Finalmente, temos mais habilidade de discutir coletivamente problemas importantes, de deliberar sobre as questões que são importantes para a vida política de nossos países, nossas cidades e assim por diante.

Para mim, esses são os três aspectos importantes da democracia virtual. Como vocês podem ver, não se trata de voto eletrônico ou democracia direta.

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A qual futuro a internet das coisas* pode nos levar?

Pierre Lévy: Não creio que “internet das coisas” seja um conceito útil, porque, desde o início, toda a ideia da internet é no usar um endereço para coisas físicas: para computadores, para capturadores, para smartphones e assim por diante.

Portanto, a internet é desde o princípio uma internet das coisas. Sem as coisas, não há internet. Então, isso pensado conceptualmente não tem significado. 

Se você quer dizer que haverá mais sensores por toda parte e que a computação se disseminará pelo nosso ambiente, sim, é claro. Isso é a continuação da própria internet, de fato.

É uma espécie de realidade aumentada porque está cada vez mais dotada de poder computacional e isso é provavelmente o futuro.

*Internet das coisas é um conceito que se refere à interconexão digital de objetos cotidianos com a internet.
É a conexão dos objetos, mais do que das pessoas, à internet. A internet das coisas nada mais é que uma rede de objetos físicos capaz de coletar e transmitir dados.

Assista também | E-democracia ou democracia virtual? Pierre Lévy aprofunda o tema analisando os três principais aspectos desta mudança.