Voltar para Notícias

Dois anos sem Tzvetan Todorov: uma lembrança sobre o amor pela Literatura

As ideias que movem o mundo em um único lugar. Cadastre-se e receba mensalmente o melhor do Fronteiras

Cadastrado com sucesso

Quando você ensina Literatura, o faz pensando em um ser humano ou nos especialistas em Literatura? Em um país cujos índices de leitura nos entristecem, a questão proposta por Tzvetan Todorov é mais atual e necessária do que nunca. 

Este grande filósofo búlgaro, falecido há dois anos, no dia 07 de fevereiro de 2017, é autor de diversas obras seminais sobre esta arte. Um de seus livros se sobressai pela provocação que gera em nós. É A Literatura em perigo (2007), tema deste vídeo que compartilhamos tanto para relembrar Todorov, como para saudar a preciosa lição que fica de seu trabalho. 

Na obra, Todorov faz uma verdadeira ode à arte de escrever e reflete sobre uma questão também apresentada no vídeo homônimo: 

“... Percebi que, tanto como historiador quanto como ensaísta, aproveitei mais da Literatura em si que dos estudos sobre a Literatura, e que lia com mais prazer romances, poesias e histórias diversas do que análises críticas literárias ou teses escritas sobre a Literatura, que me pareciam hoje em dia se dirigir quase exclusivamente aos outros especialistas em Literatura.” 



Então, para quem estamos escrevendo quando falamos sobre uma das ferramentas mais humanas? Por que sentimos este amor pela Literatura ou, melhor ainda, por que ela é capaz de despertar o amor pelo mundo?

No livro, o filósofo tenta responder estas belas perguntas: 

literatura em perigo todorov

“Hoje, se me pergunto por que amo a Literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver. 

Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreendê-las. Não creio ser o único a vê-la assim. 

Mais densa e mais eloquente que a vida cotidiana, mas não radicalmente diferente, a Literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo. 

Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a Literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente. 

Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo.” 


Siga nossa página e participe da discussão:


Por estes argumentos, A Literatura em perigo é uma obra que se propõe a apresentar uma nova abordagem de ensino desta arte, considerando principalmente aquilo que ela tem a dizer ao ser humano, observando mais seus sentidos e menos suas estruturas formais.

Afinal, como explica Todorov no livro, "longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano".

Não deixe de ler esta obra fundamental para a compreensão das histórias em nossas vidas. E não deixe de assistir aos outros vídeos com este grande pensador.

Veja também:

Entrevista exclusiva com Tzvetan Todorov: uma civilização, muitas culturas

Artigo: Tzvetan Todorov e as três ondas do messianismo político

Relembre a passagem de Todorov pelo Fronteiras do Pensamento em nosso acervo de imagens. Selecionamos a foto abaixo para ilustrar o bom humor do filósofo. Clique na imagem para ser redirecionado ao álbum.

todorov no fronteiras do pensamento