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LIBERDADE: Como ficam nossos limites quando as fronteiras se desfazem?

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Crédito da Imagem: Tanmoy Kumar Biswas
Crédito da Imagem: Tanmoy Kumar Biswas

A liberdade será, certamente, um ponto central nas discussões da temporada 2020 do Fronteiras do Pensamento, com o tema Reinvenção do humano. Reflita sobre suas escolhas e seus limites. Nas últimas semanas, muitos de nós permaneceram em casa, num esforço de quarentena para achatar a curva de disseminação da Covid-19. Outros tantos, como médicos e prestadores de serviços, não tiveram essa opção. E muitos outros seguem a vida normalmente. 

Precisamos, é claro, seguir falando de empatia e de cooperação. Mas, cada vez mais, o tema da liberdade se mostra essencial. Somos, de fato, livres? E como fica a nossa responsabilidade social num mundo em que fronteiras não são obstáculos para uma pandemia na proporção do coronavírus? 

Um dos intelectuais que mais tem analisado as mudanças que estão ocorrendo dia a dia no mundo é o historiador israelense Yuval Noah Harari. Conhecido por seus livros Sapiens e Homo Deus, ele está escrevendo e publicando artigos pertinentes na imprensa. 

Um deles, intitulado Na batalha contra o coronavírus, faltam líderes à humanidade, foi publicado na revista Time, traduzido pela Companhia das Letras e disponibilizado no formato e-book gratuitamente pela Amazon. Harari compara o avanço da Covid-19 com outras epidemias do passado, como a Peste negra. Levando em consideração que, em outras épocas, éramos bem menos evoluídos em termos de logística e de comunicação. 

Mesmo assim, a doença se alastrou por muitos países. Ele também levanta questões importantes sobre a ausência de um líder mundial para gerar uma coalização. E de como a tríade ciência, informação e cooperação será imprescindível a partir de agora.

"Neste momento de crise, a batalha decisiva trava-se dentro da própria humanidade. Se essa epidemia resultar em maior desunião e maior desconfiança entre os seres humanos, o vírus terá aí sua grande vitória."


Acesse o e-book gratuito de Harari no site da Amazon.

Em artigo no Financial Times, Harari tocou em outro ponto importante. A Covid-19 sinalizou, e segue mostrando, como alguns esforços de monitoramento são importantes. No caso, como aconteceu na China, para fazer testes em toda a população e detectar com o máximo de antecedência as possíveis contaminações. No entanto, qual a evolução disso? Instrumentos de monitoramento constante, como pulseiras e exames compulsórios períodos? E a nossa liberdade? Entraremos, pela via da saúde, na distopia do controle total? 

A pandemia segue fomentando muitos debates, cujas decisões afetarão não apenas a economia e a política, mas a vida como um todo por muitos anos. 


Contardo Calligaris


Para o psicanalista Contardo Calligaris, a modernidade nos concedeu uma liberdade tremenda. Mas que da qual fugimos. “Por exemplo, fugir da liberdade de poder inventar nossas vidas sem ter que evocar uma transcendência. Simplesmente porque achamos certo, bonito agir de uma certa maneira e não de outra. Preferimos, no fundo, sempre, e periodicamente, pedir um sentido da vida a alguma transcendência que nos imponha um freio. Que coloque limites à nossa liberdade de ser.”

>> Leia o resumo da conferência com Calligaris ao Fronteiras em 2019

Na década de 1990, a promessa era de que a internet nos tornaria livres e iguais. Três décadas depois, vemos a profusão de conflitos e de fakes news no ambiente digital. O historiador britânico Niall Ferguson faz uma avaliação deste cenário.


E, quando falamos de liberdade, um tópico que não pode ser deixado de lado é a questão dos refugiados. O artista e designer chinês Ai Weiwei é um ativista que dá voz aos que não podem falar. Em seus documentários, em especial em Human Flow – Não Existe Lar se Não Há para Onde Ir (2017), faz da arte um instrumento de alerta e de crítica. 

>> Leia a matéria especial sobre Ai Weiwei no site do Fronteiras

Ai Weiwei


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