Uma noção de local no Brasil: globalização ecológica e tecnológica

Postado em set. de 2022

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Uma noção de local no Brasil: globalização ecológica e tecnológica

Estudioso das manifestações culturais e das identidades, o francês observa que a cultura e a identidade passaram por uma imensa transformação nos últimos trinta anos. E a questão ecológica acrescenta outra camada de transformações e complexidade.


Ao realizar sua conferência em São Paulo, no Teatro Claro, e na Casa da Ospa, em Porto Alegre, Frédéric Martel trouxe o Brasil para suas análises. Estudioso das manifestações culturais e das identidades, o sociólogo e jornalista francês observou que a cultura e a identidade passaram por uma imensa transformação nos últimos trinta anos, em decorrência da globalização e da digitalização. E destacou: a questão ecológica acrescenta ainda outra camada de transformações e complexidade para este debate.

No início da sua fala, o conferencista frisou que se baseia em sua própria jornada intelectual e suas principais pesquisas de campo no Brasil, onde visita há dez anos e já esteve por todos os cantos. Com 54 anos, o francês acumula uma bibliografia, no mínimo, polêmica, mas, com um olhar apurado para as culturas locais, especialmente diante da influência digital. E trouxe essa visão afinada para o debate que promoveu com os dois públicos.

Doutor em ciências sociais pela EHESS, França, o jornalista é mestre em ciências sociais, filosofia, ciência política e direito público pelas Universidades de Paris I e II e professor na ZHdK, Suíça. É um dos escritores franceses mais lidos da atualidade, é autor de Mainstream e Smart, obras fundamentais para refletir sobre as indústrias criativas e a cultura digital em mais de 50 países. E autor do polêmico best-seller No armário do Vaticano, livro mais vendido em 12 países e traduzido para 20 idiomas

Frédéric Martel começou sua conferência fazendo uma constatação e a reflexão sobre o Brasil: o país perdeu muito do seu soft power nos últimos anos. Está na 26.ª posição de um ranking, enquanto sua população é a quinta maior do mundo. “O que aconteceu? Como podemos retomar nossa influência internacional por meio da nossa cultura, valores, mídias digitais?” O conferencista observou que o soft power é como as pessoas percebem, recebem mensagens sobre o Brasil. Pode até não ser a realidade que todos nós vivenciamos, mas, de fato, mas retrata uma certa identidade.

Deu continuidade ao tema identidade ao relacioná-la ao processo de digitalização mundial. Afirmou que na Internet há fronteiras e que os elementos estão ligados por uma realidade, um território. E essa característica nos mantém locais mesmo com a globalização. Discordou que o mundo seja mesmo plano, fazendo referência à tese do americano Thomas Friedman, e refletindo sobre a influência de players do Vale do Silício. “O digital permite-nos combinar o localismo com o globalismo. E podemos levar isso em conta em diversas dimensões de novas vidas.”

Para ler mais sobre os debates promovidos nesta semana pelo Fronteiras do Pensamento, veja aqui cobertura realizada pela Folha de S. Paulo.


E nesta entrevista, reproduzida pela Revista Fronteiras, dá para conhecer mais sobre suas ideias e seu trabalho.

 

 

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Frédéric Martel

Frédéric Martel

Escritor francês

Um dos escritores mais lidos da atualidade, autor do polêmico "No armário do Vaticano".
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