Voltar para Notícias

Niall Ferguson responde à Pergunta Braskem

As ideias que movem o mundo em um único lugar. Cadastre-se e receba mensalmente o melhor do Fronteiras

Cadastrado com sucesso

Historiador e escritor britânico, membro sênior da Milbank Family, no Hoover Institution, na Universidade de Stanford, e autor de seis dezenas de livros, Niall Ferguson teve sua conferência lançada na noite de quarta-feira, 13 de outubro, na Temporada 2021 do Fronteiras do Pensamento – Era da Reconexão.

Sua conferência “Em certo sentido, todos os desastres são causados pelo homem”,  Niall Ferguson parte do debate de ideias do seu novo livro "Catástrofe: uma história de desastres", e sobre como podemos fazer uso da história dos desastres em nossa época, para refletir sobre o desastre com o qual ainda estamos no desastre da Covid-19, mas também sobre outros que talvez encontremos no futuro.

Niall Ferguson também responde à Pergunta Braskem: “Você disse que, em alguns anos, não nos lembraremos mais como era a vida antes de 2019. Como isso afeta o momento atual, quando começaremos a superar a pandemia?” Sua resposta se baseia na constatação de que uma peculiaridade de nossa psicologia coletiva é que temos uma espécie de amnésia. Exemplifica retomando fatos marcantes da nossa história como o “11 de setembro” e faz a seguinte analogia: “O passado é como se fosse um outro país. E ainda se tenhamos vivido lá, não nos lembramos tão bem como era”.


O historiador tem um trabalho reconhecido por antecipar o futuro com base em uma análise do passado e por ser um influenciador no campo da política internacional. Ferguson tem pós-doutorado em História pelo Magdalen College da Universidade de Oxford, é especialista em economia, mercado financeiro e história econômica, leciona na Universidade de Harvard e é pesquisador em Oxford, além de associado sênior no Instituto Hoover e na Universidade de Stanford.

Sua constatação, ao escrever o último livro, é que a história em si, de várias formas, é um maldito desastre atrás do outro. E mesmo assim, de algum jeito, apesar de todo o conhecimento científico que acumulamos, se comparados às gerações anteriores de seres humanos, não parece que somos tão melhores assim em lidar com desastres do que costumávamos ser no passado.

Ao longo de sua conferência, analisa e pondera a magnitude da pandemia que estamos vivendo sob a ótica de outros momentos pandêmicos da história mundial. “Se comparássemos a pandemia da Covid-19 com as maiores pandemias da história, ela teria apenas recentemente entrado para o Top 20. Comparada com as seríssimas pandemias ocorridas no século 14, a famosa Peste Negra, a onda de peste bubônica que varreu a Europa toda, ou a Praga de Justiniano, durante o Império Romano, lá pelo ano de 540.”

Reflete sobre causas, consequências e lições do enfrentamento da Covid-19, alcançando questões da geopolítica global e sob viés econômico que, na sua visão, o impacto se sobressai em relação a outros aspectos. “Por que uma pandemia de magnitude mediana, segundo parâmetros históricos, teve o impacto de uma guerra mundial, em termos de finanças públicas?”, debate.

E aponta como das maiores consequências geopolíticas da pandemia: revelar para o mundo a real natureza da China de Xi Jinping de regime de Partido Comunista. Sua constatação parte de que opiniões quanto à China, e quanto ao governo chinês em particular, têm se tornado mais negativas. “Caso a Guerra Fria, que creio já estar acontecendo há algum tempo, venha a piorar muito, caso isso se torne um conflito direto, por exemplo, devido a Taiwan, aí teríamos mesmo um grande choque na economia mundial, e talvez um tão grande quanto o causado pela pandemia”.


Algumas de suas conclusões tocam em pontos específicos, como a relevância da vacina para a forma como a história desta pandemia está se desenhando. “A história nos deu uma lição óbvia: se há algo que precisa ser feito direito numa pandemia, esse algo é a vacina”, afirma. E que o problema fundamental da história é que não importa as linhas e ciclos de tendência que tentemos discernir, os desastres ocorrem aleatoriamente ou de outras maneiras imprevisíveis. “Não existe um desastre médio, eles vêm em todas as formas e tamanhos e é quase impossível prever qual o desastre que acontecerá a seguir.”

Niall Ferguson é um das oito conferencistas confirmadas na Temporada 2021 do Fronteiras do Pensamento – Era da Reconexão. Para acompanhar estas apresentações e garantir acesso a conteúdos exclusivos em ambiente digital quando e onde quiser, inscreva-se pelo site https://temporada.fronteiras.com/.